Marcelo Adnet gravou na última quinzena de março cenas de sua participação no longa “Reis e ratos”, comédia do diretor Mauro Lima que fez “Meu nome não é Johnny”. Saiba mais sobre o filme:
Selton Mello se une a cineasta para fazer filme a toque de caixa
Novo filme de Mauro Lima, ‘Reis e ratos’ foi feito em apenas 17 dias. Atores como Rodrigo Santoro e Cauã Reymond aceitaram receber depois.
Por Débora Miranda
Cenários e figurinos reutilizados, apenas 17 dias de filmagens, elenco pago “com cheque pré-datado”. Assim foi feito o filme “Reis e ratos”, que consolida a parceria entre Selton Mello e o diretor Mauro Lima, iniciada com “Lisbela e o Prisioneiro” (filme no qual o cineasta trabalhou como assistente de Guel Arraes) e que seguiu com “Meu nome não é Johnny”.
O plano ousado começou quando Lima foi visitar o set de “O bem amado”, filme dirigido por Arraes e produzido por Paula Lavigne. “Me dei conta de que as duas histórias aconteciam exatamente na mesma época, entre 1963 e 1964. Poderiam nos ser muito útil o cenário e o figurino. De brincadeira, sugeri para a Paula que fizéssemos ‘Reis e ratos’, e ela topou”, conta o cineasta, que tinha o roteiro pronto há anos, esperando uma oportunidade para rodá-lo.
Dois dias depois a dupla começou a analisar como tornaria o plano viável, e a pré-produção durou apenas três semanas. “As filmagens teriam de começar logo na sequência de ‘O bem amado’, senão não seria possível. Sugerimos à equipe descansar uma semana e engrenar essa outra produção. Como não tínhamos dinheiro, pagamos os profissionais da parte técnica, como eletricista e maquinista. A parte artística e o elenco não receberam ainda. Foi tipo cheque pré-datado. Agora faremos a captação de recursos para pagar quem não recebeu e para finalizar a produção“, explica Lima.
E mesmo com tantas limitações, o cineasta não encontrou dificuldades para reunir um elenco com alguns dos nomes mais conhecidos e conceituados do cinema nacional. Selton Mello foi o primeiro a ser chamado, e embarcou no projeto logo de cara. “Já conhecia o roteiro e gostava muito da ideia. Tem um humor peculiar. Voltar a trabalhar com o Mauro também era atrativo, fomos muito felizes juntos em ‘Meu nome não é Johnny’, é um parceiro que veio pra ficar“, diz o ator.
Depois dele, se uniram a Lima na aventura Rodrigo Santoro, Cauã Reymond, Paula Burlamaqui, Otávio Muller, Seu Jorge. E a trilha é de Caetano Veloso. “Foi uma feliz coincidência todo mundo estar disponível exatamente nessa época. Chamei primeiro o Selton, com quem eu já tinha parceria. Com o Rodrigo encontrei por acaso, falei do projeto, ele leu o roteiro, o Selton botou uma pilha, e ele topou. Foi o Selton também que chamou o Cauã, ao encontrá-lo em uma viagem de avião.”
Mello já havia se envolvido em outros projetos com verba restrita -como foi o caso de “O cheiro do ralo”, em que se ofereceu para atuar e acabou inclusive participando como produtor. “Fiz filmes que ganhei bem, outros não, mas em todos eu pude me exercitar e ajudei de, certa forma, a dar uma cara ao nosso cinema. Amo estar num set de filmagens, ali encontrei uma forma de me expressar e pretendo, assim, seguir meu rumo. Cauã Reymond e Rodrigo Santoro eu trouxe pessoalmente para ‘Reis e ratos’. Mostrei a eles o privilégio de poder fazer algo arriscado em tempo recorde. E eles entenderam o chamado. Não temos tantas oportunidades como essa a todo instante.”
Rodado em preto -e-branco, com clima que, segundo o diretor mistura o cinema noir com “O bandido da luz vermelha”, “Reis e ratos” conta sobre um agente da CIA enviado ao Rio de Janeiro que, depois de beber chope, experimentar pastel de camarão e se casar com uma brasileira, não quer mais voltar aos Estados Unidos.
Em crise
Há algum tempo, Selton Mello tem se mostrado desmotivado com o trabalho. “Isso se chama crise”, define. “Depois do ‘Feliz Natal’ [seu primeiro longa como diretor] decidi dar uma diminuída no ritmo. Lançar um filme é algo muito pessoal, é mostrar o seu olhar, o que você pensa“, conta o ator, que no entanto terá de encarar várias estreias ainda neste ano de projetos em que atuou há tempos. “Agora tenho privilegiado projetos mais curtos, como foi ‘Reis e ratos’, com apenas 17 dias de filmagens. Está do meu tamanho.”
Em 5 de junho chega aos cinemas “A mulher invisível”, filme em que contracena com Luana Piovani. Na história, ele interpreta Pedro, um homem que após sofrer uma decepção amorosa, cria uma mulher ideal para viver a seu lado. Nos próximos meses deve entrar em cartaz também “Jean Charles”, longa que reconta o drama do brasileiro assassinado no metrô londrino pela polícia.
“Adoro o resultado de ‘A mulher invisível’, tenho um carinho enorme por esse trabalho. É um filme muito engraçado e comovente também. Boto a maior fé que a plateia vai curtir muito o que fizemos e transformar nosso filme em um grande sucesso. ‘Jean Charles’ eu ainda não vi o resultado, mas acho que por se tratar de um episódio tão dramático, pode atrair a atenção do público para tentar entender quem era o homem por trás daquela tragédia.”
Fonte: G1 Globo













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