Paulo Bonfá comenta o “Risadaria” e o mundo dos adolescentes
Curador do maior evento de humor da América Latina fala sobre aprontar no colégio, bandas ruins de bola e o futuro de sua carreira
Pedro Carvalho, iG São Paulo
Tirem os adultos da sala! Paulo Bonfá conversou com o iG Jovem sobre as coisas que aprontava no colégio, as bandas “teens” mais pernas de pau do país, videogames, geração internet, Neymar e outros assuntos totalmente excelentes e adolescentes. O apresentador e humorista, que eternizou programas como o “Rock e Gol” e os “Sobrinhos do Ataíde”, é um dos curadores do “Risadaria”, o maior evento de humor da América Latina, que acontece no pavilhão da Bienal, entre os dias 19 e 21 de março.
O que vai ser o “Risadaria”, exatamente?
É um evento grande e complexo. Vai ter uma parte de encontros inéditos e uma quantidade de shows de humor num mesmo lugar que nunca aconteceu. De palhaço a stand up, de mímico a imitador. Vai misturar humor da TV, rádio, quadrinhos, internet, tudo no mesmo lugar e ao mesmo tempo. O prédio da Bienal vai estar tomado por comédia.
É quase uma Bienal do Humor?
Não é Bienal porque a gente quer fazer todo ano. É uma Anual do Humor.
Que jovem talento do humor você aconselha e destaca?
Meu preferido e predileto é o Marcelo Adnet. Pra mim é o maior talento cômico surgido nos últimos tempos. Ele canta, interpreta, faz stand up, escreve, é um artista completo. Um cara não tão novo, mas que eu gosto muito do trabalho, é o Bruno Mazzeo, que não conheço pessoalmente.
Veja a reunião criativa dos curadores do “Risadaria”:
O que o “entretenimento jovem” em geral produz de melhor hoje?
Hoje música é um grande barato, porque você pode ouvir o que quiser, a hora que quiser, trocar figurinha com gente da Islândia – e isso está obrigando as rádios a se reinventarem. A Oi FM, por exemplo [onde ele tem um programa] é quase uma “college radio”, toca bandas do underground, “demos”, tem uma missão de criar cultura musical.
Falando nisso, o que você indicaria para formar a cultura musical do jovem?
Uma dica que eu pensei hoje: Sonic Júnior. É um brasileiro, um cara de Maceió (AL), que não é a capital da música, muito menos da música eletrônica, e ele faz tudo, toca produz, é uma ‘banda de um homem só’ que se você escutasse numa rádio em Ibiza diria ‘nossa, que legal’.
O que os adolescentes costumam falar com você na rua?
Depende do momento. Quem gosta de futebol, me aborda pelo futebol. Às vezes coisas mais sérias, tipo se o Dunga deve convocar o Ronaldinho, e eu digo ‘não sei, o que ele precisa é trocar o figurino…’ [risos] Outras vezes perguntam do Rock e Gol, o campeonato dos músicos…
Então aproveite e diga: que bandas jovens são as mais pernas de pau?
Cara, o pessoal anda se dedicando muito à música… [risos] Acho que o Fresno, dos novos roqueiros e emos, embora eles não gostem da terminologia, são uma banda bastante decepcionante [risos]. Se bem que tem o Vavo [guitarra e backing vocal], que é muito bom e compensa a grossura dos outros. Então eu diria que o NXZero é mais âncora, mesmo. Todo mundo é ruim, todo mundo igual. Dá pra afundar todo mundo junto, que a ruindade é bem distribuída.
Você curte os videogames de futebol?
Eu adoro videogame, acho que os jogos estão cada vez mais próximos da realidade e que a tendência é que ultrapassem a realidade. Até o Ronaldinho Gaúcho fica mais bonito no videogame. Ele vira um galã! Mas eu, particularmente, tenho um problema: não posso ter videogame em casa, porque eu fico vidrado e não consigo fazer outra coisa.
Você levaria o jovem Neymar para a Copa?
Para falar em talentos jovens, eu gosto mais do Neymar que do Alexandre Pato. Acho que o Neymar já tomou mais porrada na vida que o Pato, então ele tem mais experiência. Como torcedor, eu me sentiria mais seguro se numa substituição eu ouvisse ‘entra o Neymar’ do que ‘entra o Alexandre Pato’.
Quando você era adolescente, qual era o seu perfil?
No colégio, eu era o bagunceiro, mas não o bagunceiro tipo guerra de papel. Eu gostava de brincar, fazer piadinha. A comunicação era um hobby desde aquela época. Eu comecei a gravar fitas K7 fazendo ‘programas de humor’, imitando uma rádio… Ao mesmo tempo, fui bem irrequieto, saía pra andar de bicicleta, ia ao cinema, tinha namorada…
Você ia bem nas provas?
Eu ia bem, tinha uma certa facilidade… Não era CDF, mas tinha facilidade.
Em que essas mudanças tecnológicas impactaram a nova geração?
Bom, tem coisas boas e coisas ruins. Uma coisa boa é que a maioria das pessoas desenvolveu uma capacidade de ser multitarefa, conseguir fazer várias coisas ao mesmo tempo sem perder o fio da meada. Uma coisa ruim é que eu vejo que as pessoas estão desaprendendo a escrever. Eu recebo emails na rádio e na MTV que muitas vezes tenho que decifrar o que está escrito.
A galera tira muito sarro do Galvão, que é meio “coxinha”. Que dica você daria pra deixar a transmissão dele mais divertida?
Olha, não é pejorativo o que eu vou dizer, mas o Galvão não tem saída. O Galvão é o personagem que criou, e preciso dizer que ele é muito bem sucedido, porque mesmo tendo uma eventual rejeição, essas pessoas [que rejeitam] são a minoria. Ele agrada a maioria. Acho que pra ele, seria um erro mudar. Nenhum comediante tira sarro de algo que não seja sucesso.
O que você enxerga como um próximo passo na sua carreira?
Na minha carreira? Narrar futebol. Subverter a forma de transmitir o futebol. Óbvio que é a minha vontade, mas dependo de uma emissora querer… Ainda não sei como faria, mas tenho certeza de que ia achar um jeito.
Valeu pela entrevista!
Eu queria terminar fazendo um convite ao leitor do iG Jovem. Uma coisa muito legal do ‘Risadaria’ para eles será conhecer o que deu origem àquilo que eles curtem hoje. Vai ser uma oportunidade de dizer: ‘pô, o Marcelo Taz, aquele cara careca do CQC, um dia era o repórter Ernesto Varella e tinha cabelo?’ Ou então ‘o Jo Soares, aquele entrevistador de cabelo branco, era um humorista engraçadíssimo?!” Vai ser uma descoberta. E tem meia-entrada, os estudantes têm que aproveitar!
Fonte: IG Jovem











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