RIO – Marcelo Adnet e Rafael Queiroga vão receber a visita da roqueira Pitty na próxima quinta-feira, dia 22, no “15 minutos”, da MTV. Os papos serão os mais diversos. Juntos, eles falarão sobre os tipos inconvenientes no cinema e a Mãe Dinah. O grupo também fará um som, um heavy metal sobre o senso comum e uma versão lusitana de “Pet Cemetary” dos Ramones. O programa é exibido às 21h45m.
Fonte: Patrícia Kogut – O Globo Online
Nesse meio de semana aconteceu a oitava rodada do Campeonato Brasileiro de 2010. Mas não foi uma oitava rodada qualquer, foi uma reestreia. O campeonato recomeçou na ressaca da Copa do Mundo, mas já carregado com alguma tinta dramática. Depois de aturar jogos de manhã, times fraquíssimos, Mick Jagger, polvo, Caio preso, Galvão rouco, Larissa Riquelme, bolão, Maradona, vuvuzelas e afins, voltamos à nossa rotina.
Vinte times e milhões de brasileiros voltam a se envolver num dos maiores campeonatos nacionais do planeta. E, depois de tudo a que assistimos nessa Copa, concluímos que o Brasileirão é muito disputado, emocionante e tem lances marcantes a cada rodada. Abaixo, no comentário dos jogos da rodada, destaco o que cada partida teve de especial, de mágico. E tudo isso numa rodada regular do campeonato, na qual, a exceção de Inter e Cruzeiro, ninguém brilhou. Bastou a reestreia do Brasileirão para que todo o blablablá da Copa caiba em dez jogos. E tudo isso sem vuvuzela!
ATLÉTICO-MG x ATLÉTICO-GO: Encontro de Atléticos em Sete Lagoas. Tardelli fez dois gols no mesmo jogo! O segundo gol do Galo foi polêmico. Surgiu de uma falta marcada em um lance no qual Ricardo Bueno se atirou no chão, mergulhando na grama sem motivo aparente. O bandeira nada marcou, mas o árbitro errou e, de longe, assinalou a falta e o mesmo Ricardo Bueno marcou de cabeça. No início do segundo tempo, após chutão pra frente de Robston, do Dragão, Fábio Costa saiu em falso, perdeu totalmente o tempo da bola e protagonizou o momento “Jabulaaaani!” da rodada ao ver que seu vacilo virou gol de Rodrigo Tiuí. Coisas do futebol.
GOiÁS x VASCO, ZERO: Poucos minutos antes de rolar a bola vejo, pela TV e com delay, a torcida esmeraldina pulando muito e fazendo o maior barulho em Goiânia. Como é grande o nosso futebol! Numa noite fria, milhares de trabalhadores – homens em sua maioria – pagam ingresso e se reúnem pra pular e gritar pelo seu time. Em todo o Brasil, nas mais remotas cidades, das Séries A à D, o fenômeno se repete. Somos mesmo o país do futebol. O jogo acabou zero a zero, placar garantido, no primeiro tempo, pelas grandes defesas de Fernando Prass e, no segundo, por centímetros e pelo travessão vascaíno. O gol, estrela do espetáculo, não saiu, mas a paixão do povo segue inabalada pra próxima noite fria.
GRÊMIO 1 x 1 VITÓRIA: Tche, que frio! O Grêmio jogou sem criatividade, durão, estilo Grêmio, aquele que deixa o zero no placar para aproveitar um cochilo ou dar o coração numa jogada pra definir o jogo, e foi surpreendido pelo Vitória, que abriu o placar. Mas, no fim do jogo, Egídio se atrapalha junto ao goleiro Viafara e a bola acaba passando da linha. Aquele tipo de gol que se demora pra comemorar e os jogadores ficam encarando o bandeira e o juiz por um tempo. Mas entrou. O momento comovente da rodada aconteceu na saída de Leandro, ainda no primeiro tempo, que chorou muito depois de sentir mais uma contusão! Sorte pro Leandro!
FLUMINENSE 1 x 1 PRUDENTE: Que mole, Fluzão! Perdeu a chance de assumir a liderança por não ter sido Barueri, digo, prudente. Até Fred se atrapalhou no fim do jogo, cometendo a gafe da rodada, totalmente perdoável. Em entrevista, disse: “Numa desatenção, o Barueri empatou.” Tudo bem, é algo do tipo chamar a Eslováquia de Tchecoeslováquia.
CEARÁ 0 x 0 CORINTHIANS: No duelo de líderes, brilharam os goleiros, pois as muitas chances de gol pararam em Júlio César e Diego. O Ceará é a grande surpresa da competição.
ATLÉTICO-PR 0 x 2 CRUZEIRO: A Arena é mesmo um caldeirão, o clima estava muito quente. Um lance polêmico, daqueles que só um tira-teima poderá esclarecer, num lance em que o Furacão abriria o placar. Alex Mineiro, segundo o bandeira, em posição irregular, rolou para trás pra Bruno Mineiro chutar e Fábio tirar a bola já de dentro do gol. O Cruzeiro tem um time bom e conseguiu impor seu jogo rápido e habilidoso, fazendo 2 a 0 fora de casa! Roger e Tiago Ribeiro, Cuca e Wellington Paulista, as duplas funcionaram.
GUARANI 0 x 3 INTERNACIONAL: Internacional esbanjou poder ofensivo, jogou muito e garantiu a vitória mais elástica da rodada, de quebra, fora de casa.
PALMEIRAS 2 x 1 SANTOS: Jogo de dois golaços! Ewerthon, pelo Porco, e Marcel, pelo Peixe! Os craques não jogaram bem, assim como aconteceu com os craques da Copa.
FLAMENGO 1 x 0 BOTAFOGO: Que vitória importante pro Fla! Depois de um período conturbado e de perder Love, Adriano e o goleiro, a molecada deu conta do recado, mandou bem e pulou na tabela. Deixando pra trás um momento difícil, o Fla tem um lado bom pra se apegar – Lomba bem no gol, time bem na tabela e, o mais importante, Zico dirigindo o futebol. Já no Botafogo, tomara que Maicosuel possa jogar logo! E, meu querido El Loco Abreu, tá comemorando muito aí no Uruguai! Curiosamente, depois dos empurrões que Herrera e Caio trocaram, contra o Goiás, o time não ganhou mais.
SÃO PAULO 1 x 2 AVAí: Zebra no Morumbi! Grande vitória avaiana na estreia do técnico figuraça Lopes, que está sempre à beira do campo, gritando como uma águia!
Esta rodada contou ainda com os técnicos Luxa, Felipão, Muricy, Mano Menezes, Joel e Dorival Júnior. Bons professores, apesar de não serem unanimidade.
À beira do campo tivemos Tardelli, Taison, André, Ganso, Neymar, Fernandão, Dagoberto, Rogério Ceni, Miranda, Fred, Jorge Henrique, Kleber, Paulo Bayer, Alex Mineiro, Iarley, Hernanes e os gringos Herrera, Conca, Petkovic, Defederico, Abbondanzieri e D’ Alessandro. Além destes, houve a importantíssima participação de coadjuvantes, sem falar na futura presença de muitos outros craques. Pena não ver o nome de Pet, Neymar e Ganso em negrito!
Não podemos nos esquecer dos nossos templos – Maracanã, Morumbi, Pacaembu, Castelão, Mangueirão, Beira-Rio, Olímpico, Arena da Baixada, Couto Pereira, Engenhão, São Januário, Palestra Itália, Mineirão, Barradão, Ressacada, Vila Belmiro, Brinco de Ouro, Serra Dourada e tantos outros palcos históricos.
Sinto saudades do Campeonato Brasileiro! Assim como senti durante a Copa. Vamos curtir ainda 30 rodadas, são 300 jogos por vir! Torço por um bom futebol e por boas arbitragens!
PS: Olé! Paco de Lucia, Almodóvar, Salvador Dali, todos os toureiros, a Galícia, o país Basco, Catalans, toda a Espanha, os amantes de paelha e espanhola, saludos! Congratulaciones! Pronto! Exorcizei os clichês! 2014 é logo aqui!
Pra mim, o Campeonato Brasileiro e os campeonatos estaduais são os melhores, porque todos amamos nossos clubes e nos envolvemos passionalmente com cada jogo. Sabemos os hinos dos adversários e conhecemos seus torcedores. Torcemos contra os vizinhos.
Até sábado que vem! Sugestões, palpites, reclamações, informações no e-mail desta coluna!
Fui!
Fonte: Caderno de Esportes – O Globo (17/07/2010)
Estamos naquela semana de digerir a eliminação. De aceitar a derrota, de procurar os culpados ou deixar pra lá esse lance de achar os culpados. O engraçado é olhar pra trás e ver com mais calma as situações que vivemos. Chegamos a um ponto em que não podíamos mais exercer nossa opinião sem ter que escolher um lado: anti-Dunga ou pró-Dunga. Confesso ser uma escolha difícil, pois queremos que a seleção vença, sempre, queremos que o nome do Brasil seja levado ao exterior por motivos nobres, como a prática de um belíssimo futebol.
Mas, por outro lado, se a equipe que vai nos representar é limitada, se o técnico detesta toda a imprensa e chega a identificá-la como um inimigo, chegamos num ponto muito complicado. Muito difícil ser pró-Dunga depois de assisti-lo insultar, entre os dentes, um companheiro da imprensa esportiva, nosso querido, simpático e corretíssimo Alex Escobar. No ato da convocação, os 190 milhões de técnicos discordamos em massa do técnico, mas, duas vitórias contra Coreia do Norte e Costa do Marfim foram suficientes para instaurar a euforia e a sensação coletiva da força do Brasil, da garra de Dunga, de seu caráter engessado, que não se curva a nenhuma pressão. Rapidamente se espalhou a ideia de que “a imprensa está mancomunada contra o técnico”. Eu mesmo, que sou ator, comediante e apenas escrevo esta coluna sobre esta nossa paixão, o futebol, há poucos meses, fui acusado de conspiração – por um par de e-mails apenas – como se eu fizesse parte de uma corrente da mídia contra o Dunga. Recebi e-mails sugerindo que todos nós estávamos sendo obrigados a falar mal da seleção. Será que alguém do jornal me procurou para me obrigar a escrever mal da seleção? Vocês conseguem imaginar esta cena? “Alô Marcelo? Olha, todos agora têm ordem de espinafrar o técnico, ok?” Se isto acontecesse eu pediria para sair na mesma hora, pois, se existe alguma coisa que tem valor pra mim é a liberdade de expressão, o direito de opinião. Todos podem achar o que bem quiserem e podem expressar todas as suas ideias, de forma cuidadosa, para não cometer injustiças com o criticado. Devemos também respeitar os profissionais do esporte, pois, se erram dentro de campo, muitas vezes podem acertar fora dele e, assim, devemos reconhecer que existe “tanto o pessoal quanto o profissional”, como diria o Faustão. Quando dizemos que o Dunga não foi criativo, que ele foi defensivo, que ele não tem experiência como técnico, que sua estratégia de isolamento era exagerada, estamos fazendo críticas ao seu trabalho e isto tem de ser aceito. Quando a Barbara Heliodora espinafra um espetáculo teatral e esculhamba toda a ficha técnica, nós baixamos a cabeça e dizemos: “É… Crítica da Barbara é assim mesmo”. Ninguém disse que Dunga era mau caráter, que ele é desonesto, que seriam críticas pessoais e, portanto, essas sim, delicadas. Quando perdemos o direito de ter uma opinião crítica sobre a seleção, acontece esta lamentável caça às bruxas, na qual dizer que “a seleção não está bem” é um crime contra a pátria, um ato que fere toda a nação. A imprensa cumpriu seu papel, de acompanhar, de criticar e de torcer para nossa seleção.
Agora, tudo isso sem “eu sabia”, “eu avisei”, “viram como eu estava certo?” A seleção dos craques podia ter sido eliminada também, assim como a de Dunga poderia, perfeitamente, ter passado pela Holanda e pelo Uruguai. Portanto, sem caça às bruxas, de nenhum dos lados.
A única crítica à imprensa que achei pertinente foi a de que quase todos criticam Dunga, mas quase ninguém menciona o nome do presidente da CBF na hora de criticar a seleção. Justíssimo! Afinal de contas, o técnico não se escolhe, ele é escolhido por alguém. Será que o fato de o técnico aceitar algumas imposições sobre a escalação da seleção pesa na escolha? Coisas estranhas acontecem à seleção, como o episódio do jogo contra a França em 1998. Ah, num citei o nome do presidente: Ricardo Teixeira.
Mas, no final das contas, a imagem que ficou foi de um técnico que escalou mal, que perdeu o equilíbrio emocional e que saiu de campo assim que o apito final soou, deixando todos os jogadores sozinhos, num momento muito difícil. Até Don Diego Maradona, que falou, falou e tomou de quatro da Alemanha, foi forte, ficou em campo, abraçou e beijou seus jogadores, dando a cara a tapa. Foi recebido como herói na Argentina. A postura profissional é muito importante.
No conturbado desembarque da seleção no Brasil, teve até jogada ensaiada! O zagueiro Juan, que, ao lado de Lúcio e Júlio César, foi dos poucos a saírem com a moral intacta da Copa, desembarcou primeiro, fez uma paradinha, esperou o momento certo para atrair todos os microfones e repórteres para que, lá atrás, escondido sob a sombra de um boné, saísse Felipe Melo, que reconheci apenas pelo brilho intenso do brinco que usava. Quando a imprensa e os populares perceberam a manobra, era tarde. Uma carro já acelerava cantando pneu, levando pra longe dali aquele que foi eleito o algoz do Brasil na Copa. Recebi um e-mail de um torcedor que dizia que eu sou “um pederasta, um branquinho que não teria coragem de falar na cara do Felipe Melo que ele cometeu uma molecagem.” Que absurdo! Eu não sou tão branquinho! Zaganá. Em tempos de intolerância, sobra pra todo mundo. Já Jorginho, ao desembarcar, disse que ia pra casa, pediu pra imprensa sair da frente, mas, minutos depois, parou num canto ao lado de um repórter para conceder a ele, apenas a ele, uma entrevista particular, na qual declarou que “não se arrepende de nada”, que a comissão técnica “fez tudo certo.” Peraí, o Brasil não foi eliminado? Eu me arrependeria, mesmo de algo que não consegui prever.
E quem será o substituto de Dunga? Felipão, o gaúcho durão de 2002? Muricy, o disciplinador e mal-humorado líder? Mano Menezes, o técnico twitteiro? O professor Vanderley Luxemburgo (fala sério, né?) para nos defender de terno? Arrisco até o nome de Joel Santana, “because he could reclamate whith the juiz becose he spikis inglish very well.” Será um destes ou será alguém que simplesmente aceita certas condições impostas pela confederação?
Por mais que pareça romântico, na minha opinião, sigo as palavras do saudoso João Saldanha: “A seleção são os 11 melhores do país.” Ponto. Não tem que complicar. Se a gente fosse eliminado com Neymar, Ganso e Ronaldinho Gaúcho em campo, seria bem mais gostoso e perderíamos todos juntos, com nossas convicções.
E, no final, o que ficou desta Copa? Só estas palavras…
Vuvuzela Galvão
“Jabulaaani”
Dunga
Polvo
Larissa Riquelme
Mick Jagger
Eu tive um pesadelo com uma vuvuzela vidente, gritando “cala a boca Jabulani”, soprando um Mick Jagger. Ela previu que ia aparecer um polvo de decote chamado Riquelme. O Galvão torcia pra mim.
Navegando na internet, conheci um vídeo que está fazendo o maior sucesso: o menino Salomão aparece em seu quarto, aos prantos por causa da derrota de nossa seleção: “Nããão! Segunda tem aulaaaaa!! (…) Juiz ladrão! Ele era coreano e roubou o Brasil, porque o Brasil ganhou da Coreia!” No final do vídeo, a mãe o conforta, citando Galvão Bueno: “Calma filho, é só um jogo de futebol! Em 2014, você vai ter 18 anos…” e Salomão completa : “Vou ter dezesseeeeis! Você não sabe minha idaaaaadeee!”
Espanha oferece 30 MIL EUROS PELO POLVO vidente! Isso me leva a crer que esta vai ser a paella mais cara da história!
Realmente, esta Copa careceu bastante de um grande craque, um ídolo! Não é à toa que um polvo é o mais comentado do momento! A carência é tanta que, depois dele, já vieram um periquito de Cingapura, um polvo turco chamado Maradona e um outro polvo holandês. Por que a gente não joga as fotos dos candidatos à presidência pra ver quem o polvo agarra? Será que o polvo prevê o voto do povo?
Legal ver O Messi todo cariocão, comendo sanduíche na Prainha! A rivalidade Brasil e Argentina fica só dentro das quatro linhas. Visite Buenos Aires!
E o Brasileiro VEM AÍ DE NOVO! Juro que vou reclamar bem menos da arbitragem, principalmente dos bandeirinhas! Essa lição a Copa deixou: como nosso campeonato nacional é emocionante e como os erros realmente acontecem em todas as rodadas!
Teoria da Conspiração. nas Copas! É no que muitos acreditam! Sou adepto de muitas Teorias da Conspiração – Homem na Lua, Crise de 29, 11 de Setembro – mas desta, não. O Brasil entregou a Copa de 98 pra ganhar a de 2002, entregar todas as outras e voltar a vencer a de 2014, em casa? Será? Com tantos resultados decididos no detalhe, no “quase”, com tantas decisões sendo vencidas por um gol de diferença, fica difícil crer que está tudo armado. Mas, se alguém quiser explicar a teoria com calma, manda um e-mail pra esta coluna!
PS: Que Michel Platini se recupere logo! Ficamos na torcida!
Mick Jagger torceu pro Flu na final da Libertadores, pro Botafogo de 69 a 88, pro parlamentarismo no Brasil e contra a independência de Cabo Frio!
Muitos e-mails falando do goleiro Bruno. O que dizer? Só lamentar. Este é um assunto para as páginas policiais e não esportivas.
Até sábado que vem e parabéns ao inédito campeão mundial! Espanha ou Holanda? Se der Espanha, o passe do polvo fica ainda mais caro!
Fui!
Fonte: O Globo
Acabou nosso Feriadão!
E agora?
Que fazer com as cornetas, os chapéus, as vuvuzelas encalhados nas lojas?
E o trabalho que vai dar tirar as bandeirinhas dos carros, das janelas, das paredes?
E as propagandas genialmente criadas por geniais publicitários?
E o Mick Jagger?
Vai torcer pra quem? Pra Dilma ou pro Serra?
Preparem os bolões! Quantos por cento terão os candidatos?
Vamos assistir ao horário eleitoral na casa de quem?
Em todo o país, mais do que uma Copa, termina um Grande Feriadão!
Aliás, zebra e crise já estavam soltas desde o início da Copa. Portugal empatou em zero com a Costa do Marfim e a Inglaterra em zero com a Argélia. A Alemanha perdeu da Sérvia. A Espanha, da Suíça. Em todos esses países favoritos a disputar as finais da Copa, a reação da imprensa foi fortíssima. Itália, França, Portugal, Inglaterra, Brasil (hoje Alemanha ou Argentina) estão desclassificados (bem) antes das semi.
Na Inglaterra, Rooney nada jogou, Beckham nem desfilou. Em Portugal, Cristiano Ronaldo ficou só no desfile.
A Itália, atual campeã mundial, foi eliminada, sem vencer, última colocada de seu grupo. Os jogadores, que protagonizaram campanhas publicitárias no país e viveram um oba-oba semelhante ao do Brasil de 2006, agora são expostos a um incômodo diário na TV e nos jornais italianos. Caiu o técnico Lippi. Agora, mon ami, mon parceiro, Montparnasse, o que acontece(u) com a França é inacreditável. O país dos fumantes que moram num lugar apertado e tratam mal os estrangeiros foi exposto mundialmente ao ridículo pela birra coletiva. Caiu o técnico Domenech. Ministra acionada, presidente revoltado, reformulação do futebol. Nossos algozes morreram na Torre, nem desceram pra brincar. Isso é crise. A tensão que o Brasil experimentou é só marolinha, uma consequência da maravilhosa liberdade de expressão. O Brasil é o campeão! Pelo menos de adeptos nas redes sociais da internet. Já que nosso espaço público é sujo, maltratado, violento, conturbado e perigoso, a internet é um lugar mais seguro e apropriado para nossa juventude, a geração virtual. Devido a esta febre internética, vivemos campanhas como “Cala a boca Galvão”, “Dunga burro”, “Felipe Melo isso ou aquilo…”. Sinais dos tempos. Em 1950, não tinha Twitter pra rolar: “#pesadelocomgigghia; o@barbosa deu mole de não pegar chute do #uru”
- Cala a boca Lamartine Babo!
Aliás, no Twitter, os jogos são comentados em tempo real, e pérolas surgem! Comediantes, jornalistas e anônimos postam comentários sobre os jogos.
Imagina se os jogadores comentassem os programas de humor.
Kaká diz “Ih… o fulano tá sem graça hoje! Tinha que ter convocado um humor mais inteligente”
Movimento “#diasemadnet”!
A ELIMINAÇÃO DOEU porque o primeiro tempo nos deu a impressão de que o Brasil avançaria. Numa Copa de nível técnico baixo, parecia que vestir a camisa amarela seria suficiente. O segundo tempo foi implacável!
Quando a Holanda virou, tive a mesma sensação que tive no Brasil x França de 2006. A ficha cai pesado. Eliminação foi inesperada. Tão inesperada quanto a rouquidão do Galvão. Depois de um primeiro tempo soberano, da vitória parcial, parecia que o Brasil não ia dar mole no segundo tempo. “Mas que nada…” O segundo tempo foi “pau, pedra, o fim do caminho” pra seleção brasileira. Depois de Roberto Carlos ajeitar a meia, quatro anos depois Felipe Melo tromba com Júlio César, permitindo o empate holandês e, depois, pisa no adversário, é expulso de campo e instaura o caos na seleção brasileira. Mais uma vez, uma molecagem, uma irresponsabilidade desclassifica o Brasil de uma Copa do Mundo. Numa boa, algo está bem errado quando Lúcio é o grande craque em campo, inclusive no ataque. A seleção perdeu pelos nervos. A irritação começou com Dunga no banco, xingando todo mundo, mesmo quando não havia razão para isso. Depois, Robinho se desequilibra, dando xilique após falta clara cometida sobre um holandês. Na sequência, Felipe Melo dispensa comentários e até Júlio César, que nos emocionou com seu depoimento sinceramente triste após o jogo, também sentiu o peso em campo. Desde o início do segundo tempo, o Brasil já estava desmontado, perdido, vide a grande falha de marcação no segundo gol da seleção laranja.
Nesse jogo contra a Holanda, mais do que nunca, nos fez falta o talento individual daqueles que o povo queria ver na Copa. São mesmo tempos de Faustões magros!
Que drama esse Uruguai e Gana! Escrevo agora, antes das penalidades decisivas, mas não precisamos esperar as cobranças pra afirmar que essa foi uma decisão emocionante! O atacante uruguaio Suárez incorporou elementos do vôlei ao tirar com as mãos o que seria gol de Gana no último lance do jogo! Gyan bateu, perdeu, converteu na disputa de pênaltis, mas não foi suficiente. Pois El Loco Abreu vai bater o pênalti decisivo e… sim! Ele é louco! Faz uma cavadinha igual à da decisão do Carioca 2010 e garante o Uruguai nas semifinais! Se a equipe ganesa tivesse acessado a internet rapidinho pra ver como ele cobra, o goleiro teria ficado parado no meio do gol! Faltou informação! “ElLocodoFogão” tem 13 letras! Brasil eliminado tem 15…
O Uruguai é o único time brasileiro do Rio Grande do Sul na Copa!
E a próxima Copa é aqui ou, como diria Vanucci, “o Brasil é logo ali…”
Hoje tem jogaço entre Alemanha e Argentina. O que passar pega provavelmente a Espanha (se o Paraguai não aprontar) numa semifinal mais interessante do que Uruguai e Holanda. Nesse momento, as possíveis finais do Mundial são: Uruguai x Alemanha, Uruguai x Paraguai, Uruguai x Espanha, Uruguai x Argentina, Holanda x Alemanha, Holanda x Paraguai, Holanda x Espanha… Mas, segundo o matemático Lelesque de Almeida e o místico Pai Dinê, a final será Holanda x Argentina. Tango com mac… leite.
A vida segue…
PS: Os publicitários já tinham versões de comerciais pra nossa derrota prontinhas, né?
Sentirei falta do delay da comemoração, de saber vários segundos antes do gol que foi gol!
Com o uniforme laranja e preto da Holanda, deu a sensação de estar sendo eliminado pelo marcos Mion e a trupe do “Legendários”. Sinistro.

Agora só daqui a 4 anos...
Fonte: Caderno de Esportes – Jornal o Globo (03/07/2010)
Queridos leitores, estou em Dubrovnik, na Croácia, um lugar sensacional e “estranhamente belo”, como definiu bem minha mãe ao ver as fotos daqui. Enquanto cantava canções populares bósnias com um garçom de um bar (no estrangeiro a gente pode pagar mico à vontade), assistia ao 0 a 0 de Inglaterra e Argélia. E quando ele foi embora sem acreditar que eu realmente era brasileiro, eu voltei a ver o jogo e pensei – “que lixo, que horror, nossa! Por que eu não tou jogando?”

Foto de Dubrovnik (Fonte: Twitpic @marceloadnet0)
Logo depois, fiz uma autocrítica – “será que a Copa não está tão ruim? Será que eu é que estou mais chato, exigente?” Não. A Copa está um lixo mesmo. Tão lixo que os jogadores podiam combinar: “Gente, vamos parar a Copa? Vamos pra casa e ponto final?” Porque, sinceramente, esta Copa é uma decepção para milhões de ingleses, alemães, franceses e para 200 milhões de brasileiros, ah, desculpe, 199.999.999 de brasileiros, porque o Dunga tá seguro de suas decisões. Aliás, com este início de mundial frustrante, o Brasil é favorito junto com a Argentina, na minha opinião. Um garçom croata do bar onde assistia ao jogo me disse: “Brazil? Nevolim Dunga” ou “Brasil? não gosto do Dunga.” A retranca de Dunga atravessa o mundo! Falando nisso, após o vergonhoso Brasil x Coreia, que vi na Itália, a imprensa italiana definiu bem o jogo: “Brasil giuoca al ritmo della bossa nuova.” O filme do Brasil vai se queimando ao redor do planeta.
Pra piorar a chatice da Copa, vale lembrar que aqui em Dubrovnik, na Croácia, não tem Galvão, ou seja, não posso ter o prazer de, ao menos, rir de suas teorias absurdas! Inclusive queria lançar a campanha “não cala a boca Galvão, você é nossa diversão”. Porque, vejam bem, se não fosse por ele, a Copa não teria nenhum atrativo, nós não teríamos do que reclamar! Galvão e Dunga são os dois assuntos mais falados no Brasil. E só. Aliás, por não ter Galvão, nem um outro locutor que fale uma língua compreensível por aqui, não consegui entender por que o terceiro gol estadunidense (americanos somos nozes) foi anulado. A arbitragem tá correndo atrás pra ir tão mal quanto os jogadores.
Aliás, o árbitro de Brasil e Costa do Marfim vende videogames. Para ele, triângulo enfia, quadrado chuta, bola cruza. E o time do Paraguai só joga se o jogo estiver desbloqueado. Basta saber quem está com a setinha pra cima.
Enquanto isso, aqui na histórica Dubrovnik, os simpatissíssimos croatas tiveram uma sexta de Copa agitada – a Sérvia, que bombardeou a cidade 15 anos atrás, venceu a Alemanha do “lelescão-joselito-sem-noção” Klose. O programa pós-jogo por aqui é um humorístico, olha que bacana! E os croatas portavam bandeirinhas da Alemanha, torcendo pela derrota daqueles que destruíram mais da metade de Dubrovnik nos anos 90. Não deu. Por outro lado, torceram pela também vizinha e também agredida pelos sérvios Eslovênia. O 2 a 2 foi bom pros ex-iugoslavos, que têm chances de classificação. Falando na rivalidade, um taxista daqui me disse que, quando pega passageiros sérvios, eles pedem desculpas mil vezes, mas dão uma ótima gorjeta pra compensar.
O interessante dessas relações entre vizinhos é perceber que, mesmo com motivos de sobra pra secar os sérvios, o povo da Croácia não dá tanta atenção a esta rivalidade como nós, brasileiros, damos à rivalidade com a Argentina. E aí vem a pergunta: “Por que nós não curtimos os argentinos?” Porque eles têm um cabelo igual ao do Xitãozinho e Xororó? Porque alfajor é melhor do que os quindins de Yayá? Pela imensa rivalidade tango versus samba? Chiquititas versus Malhação? Não vejo sentido na rivalidade. Mas, tudo bem, eu sei, é tudo uma grande brincadeira. Precisamos de grandes rivais, né? E motes para comerciais de cerveja.
Ando preocupado com as promessas que fiz na semana passada. Pelo jeito que a Copa está é bem capaz de Honduras ser campeã mundial e eu ter que dar duas voltas na Lagoa com minha mãe no colo, fazendo o moonwalk, besuntado de óleo.
Escrevi ali no Twitter que a Copa estava “ridícula, chata, mala, sem criatividade, boba e feia.” Uma leitora concluiu dizendo que a Copa está “careta e homogênea”. Perfeito! Homogênea é péssimo, porque todas as seleções perdem identidade e passa a ser quase que um sorteio. Tipo uma Copa por RPG, rola o dado e vê o que acontece.
Andando pelos muros desta cidade medieval, encontrei Pai Dinê, que me passou suas previsões para os jogos deste fim de semana, pela Copa do Mundo:
HOLANDA x JAPÃO: Duelo do sushi contra a mac.. digo, contra a Laranja Macônic… digo, Mecânica. Mesmo tendo tudo pra ser o duelo menos pior do fim de semana, o jogo é às 8 e meia da manhã. Ou seja, se você acordar pra ver, passe no guichê 3 e pegue seu crachá de otário.
GANA x AUSTRÁLIA: Lixo.
CAMARÕES x DINAMARCA: Lixo. Leia um livro.
ESLOVÁQUIA x PARAGUAI: Zzzzzzz. Lixo. Nem se meu pai fosse paraguaio e minha mãe eslovaca eu veria.
ITÁLIA x NOVA ZELÂNDIA: Se a Itália mandar muito bem, pode ser que não seja um lixo.
BRASIL x COSTA DO MARFIM: Vamos ter que ver, né? Tomara que não seja um lixo. Tomara que a gente veja algum futebol. Capricha Costa do Marfim! Vai que é sua Galvão!
Gente, esta Copa está sendo uma decepção tão grande que eu vou dormir. Aí são 9 da noite, mas aqui são 2 da manhã. Legal da Copa no exterior é o clima de festa. Ganhei de 20 a 6 no totó do Omar, um cara do Kwait, e disse a ele: “Por isso que o Kwait não tá na Copa.”
A gente se fala no e-mail da coluna (colunaadnet@gmail.com) ou no @marceloadnet0
Saudade de Cabofriense x Duque de Caxias! Isso, sim, é futebol!
Fui!
Fonte: Caderno de Esportes – Jornal O Globo (19/06/2010)
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